Greenwashing: o papel dos consumidores na transição ecológica.

Tudo é verde, verde? Imagem propriedade de Joaquín Ramos.

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Greenwashing: o papel dos consumidores na transição ecológica.

Escrito por Inés Pereira

Quais são as medidas que a União Europeia (UE) está a preparar para combater a problemática do Greenwashing? E qual o papel dos novos consumidores enquanto ativo estratégico na mudança?

União Europeia prepara novas regras de combate ao “greenwashing

Recentemente, o Parlamento e o Conselho Europeu assumiram um acordo de princípio sobre a adoção de novas medidas para combater práticas enganosas, como é o caso do “greenwashing”, e garantir ao consumidor uma informação fiável e de qualidade sobre os produtos que consome, no atual contexto de transição para a sustentabilidade nas empresas.

Desta forma, expressões genéricas na caracterização dos produtos como “amigo do ambiente”; “natural”; “ecológico”; “biodegradável”; ou “ambientalmente neutro” vai deixar de ser permitida, exceto em casos em que se comprove a veracidade da informação.

Outros exemplos de práticas a abolir, de acordo com as novas regras em preparação na UE, são a rotulagem ambientalmente responsável e socialmente justa não certificada, incentivos ao consumidor para substituição de consumíveis antes de prazo, alegações sobre possibilidade de reparação do produto quando não é o caso, ou menções a produtos com impacto ambiental neutro, reduzido ou positivo, associado à compensação de emissões carbónicas.

Ao introduzir requisitos de comunicação de informação mais pormenorizados sobre o impacto das empresas nestas questões, com base em critérios comuns em linha com os objetivos climáticos da UE, o Parlamento espera acabar com esta problemática. Obrigações estas que também garantem os direitos humanos, o ambiente e as normas sociais.

Estas medidas fazem parte de um quadro regulatório mais vasto, integrado na estratégia europeia para a sustentabilidade, que vai ditar a nova forma como as empresas vão passar a relacionar-se em termos de mercado.

Não abrangendo numa primeira fase todas as empresas, esta transição designada de ESG – Environmental, Social and Corporate Governance é inevitável para todas as pequenas e médias empresas que queiram salvaguardar vantagens competitivas no contexto do mercado global.

No fundo, estas práticas da ESG são o compromisso das empresas com o futuro, quer seja o bem-estar dos seus colaboradores, das comunidades e com a proteção do planeta. Estas práticas foram criadas pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com o Banco Mundial, em 2004, estando relacionadas com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também criados pela ONU.

Na cimeira do clima COP28, que decorreu, recentemente, no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou que 2023 vai ser o ano mais quente desde que há registo, referindo que “estamos a viver um colapso climático em tempo real e o impacto é devastador”, recordando o aumento de incêndios, inundações e ondas de calor que o planeta tem registado nos últimos anos.

Na COP28, Guterres afirmou, ainda, que os líderes mundiais “devem apresentar propostas claras para a próxima ronda de planos de ação climática”.

Anteriormente, António Guterres já havia tomado medidas, em resposta ao aumento do “greenwashing”. O Secretário-Geral da ONU estabeleceu um “Grupo de Especialistas de Alto Nível” responsabilizado para desenvolver padrões mais claros para as promessas de emissões líquidas zero por empresas, instituições financeiras, cidades e regiões e acelerar a sua implementação. 

No relatório “Integrity Matters: Net Zero Commitments by Businesses, Financial Institutions, Cities and Regions”, o Grupo de Especialistas delineou dez recomendações para compromissos net-zero confiáveis e responsáveis e detalhou, ainda, as considerações necessárias para cada estágio para alcançar o zero líquido e enfrentar a crise climática.

Para acelerar ainda esta transição climática, Guterres convocou, em setembro deste ano, uma Cúpula de Ambição Climática, na sede da ONU, em Nova York, com foco na ambição, na credibilidade e na implementação, não deixando “espaço para back-sliders, greenwashers, blame-shifters ou reempacotamento de anúncios de anos anteriores”.

Renovação. Pincele com tinta verde. Imagem propriedade de Joaquín Ramos.

Mas qual é, afinal, o papel dos novos consumidores nesta transição ecológica?

Apesar do longo caminho que ainda tem de ser feito, relatórios demonstram que os consumidores estão mais preocupados com as problemáticas ambientais do que há 10 anos. 

Segundo a DECO PROTESTE, Associação Portuguesa que promove a defesa do consumidor, cerca de 57% dos consumidores da União Europeia estão recetivos a alegações ambientais no momento de escolher e comprar.

Desta forma, há cada vez mais consumidores a olharem para as opções de cada produto e a procurarem o Rótulo “Ecolabel”. Este é o rótulo ecológico europeu, certificado pela União Europeia e, verificado por entidades competentes, que pretende garantir que um produto ou serviço possui um bom desempenho ambiental.


Assim, os consumidores sabem que é uma marca confiável e que toda a sua cadeia de produção e consumo tem uma maior transparência.

Por todas estas razões, os consumidores pedem transparências às empresas e são cada vez mais os que requerem que estas adiram ao rótulo europeu, uma vez que para que estas consigam o selo, os fabricantes têm de cumprir uma série de requisitos ecológicos.

Além disso, cerca de 43% dos consumidores portugueses concordam que a experiência de compra é mais positiva quando lhes apresentam alternativas sustentáveis. É o que revela o estudo “Observador Cetelem Consumo Sustentável”, do Banco Cetelem.

No entanto, mais de metade dos inquiridos (54%) pedem mais recomendações sobre os produtos, nomeadamente, os inquiridos dos 25 aos 44 anos (58%), o que demonstra falta de transparência.

Também o estudo “Sustainable Packaging. Has the COVID-19 pandemic changed everything?”, da DS Smith e da Ipsos Mori Research, revela que cerca de 85% dos consumidores europeus valorizam o packaging sustentável dos produtos. A investigação envolveu mais de 9000 pessoas, de 12 países europeus, incluindo Portugal, Espanha e Itália, e revela que a consciencialização ambiental e o incremento de comportamentos ambientalmente responsáveis e socialmente justos estão cada vez mais em voga.

Segundo este estudo, 85% dos inquiridos preferem comprar produtos que utilizem a menor percentagem possível de embalagens e cerca de 29% admite que já deixou de comprar determinadas marcas por não serem sustentáveis.

Assim, os consumidores exigem às entidades e empresas a adoção de soluções circulares de packaging que respondam aos verdadeiros desafios atuais do ambiente.

Em suma, a maioria dos consumidores na UE é recetiva a alegações ambientais, tendo um papel cada vez mais ativo na luta contra o “greenwashing”. A transparência e a responsabilidade ambiental são fatores que os consumidores consideram decisivos para desmascarar esta prática. A escolha por produtos e serviços realmente “verdes” é determinante, pelo que se torna urgente que existam cada vez mais medidas concretas que regulem e que combatam este alegado “marketing verde”.

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Greenwashing: o papel dos consumidores na transição ecológica.

Escrito por Inés Pereira

Quais são as medidas que a União Europeia (UE) está a preparar para combater a problemática do Greenwashing? E qual o papel dos novos consumidores enquanto ativo estratégico na mudança? 

OS NOVOS CONSUMIDORES DEIXAM QUE SE PINTE TUDO DE VERDE?

União Europeia prepara novas regras de combate ao “greenwashing”

Recentemente, o Parlamento e o Conselho Europeu assumiram um acordo de princípio sobre a adoção de novas medidas para combater práticas enganosas, como é o caso do “greenwashing”, e garantir ao consumidor uma informação fiável e de qualidade sobre os produtos que consome, no atual contexto de transição para a sustentabilidade nas empresas.

Desta forma, expressões genéricas na caracterização dos produtos como “amigo do ambiente”; “natural”; “ecológico”; “biodegradável”; ou “ambientalmente neutro” vai deixar de ser permitida, exceto em casos em que se comprove a veracidade da informação.

Outros exemplos de práticas a abolir, de acordo com as novas regras em preparação na UE, são a rotulagem ambientalmente responsável e socialmente justa não certificada, incentivos ao consumidor para substituição de consumíveis antes de prazo, alegações sobre possibilidade de reparação do produto quando não é o caso, ou menções a produtos com impacto ambiental neutro, reduzido ou positivo, associado à compensação de emissões carbónicas.

Estas medidas fazem parte de um quadro regulatório mais vasto, integrado na estratégia europeia para a sustentabilidade, que vai ditar a nova forma como as empresas vão passar a relacionar-se em termos de mercado.

Não abrangendo numa primeira fase todas as empresas, esta transição designada de ESG – Environmental, Social and Corporate Governance é inevitável para todas as pequenas e médias empresas que queiram salvaguardar vantagens competitivas no contexto do mercado global.

No fundo, estas práticas da ESG são o compromisso das empresas com o futuro, quer seja o bem-estar dos seus colaboradores, das comunidades e com a proteção do planeta. Estas práticas foram criadas pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com o Banco Mundial, em 2004, estando relacionadas com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), também criados pela ONU.

Na cimeira do clima COP28, que decorreu, recentemente, no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou que 2023 vai ser o ano mais quente desde que há registo, referindo que “estamos a viver um colapso climático em tempo real e o impacto é devastador”, recordando o aumento de incêndios, inundações e ondas de calor que o planeta tem registado nos últimos anos.

Renovação. Pincele com tinta verde. Imagem propriedade de Joaquín Ramos.

Mas qual é, afinal, o papel dos novos consumidores nesta transição ecológica?

Apesar do longo caminho que ainda tem de ser feito, relatórios demonstram que os consumidores estão mais preocupados com as problemáticas ambientais do que há 10 anos.

Segundo a DECO PROTESTE, Associação Portuguesa que promove a defesa do consumidor, cerca de 57% dos consumidores da União Europeia estão recetivos a alegações ambientais no momento de escolher e comprar.

Desta forma, há cada vez mais consumidores a olharem para as opções de cada produto e a procurarem o Rótulo “Ecolabel”. Este é o rótulo ecológico europeu, certificado pela União Europeia e, verificado por entidades competentes, que pretende garantir que um produto ou serviço possui um bom desempenho ambiental.

Assim, os consumidores sabem que é uma marca confiável e que toda a sua cadeia de produção e consumo tem uma maior transparência.

Por todas estas razões, os consumidores pedem transparência às empresas e são cada vez mais os que pedem que estas adiram ao rótulo europeu, uma vez que para que estas consigam o selo, os fabricantes têm de cumprir uma série de requisitos ecológicos.

Em suma, a maioria dos consumidores na UE é recetiva a alegações ambientais, tendo um papel cada vez mais ativo na luta contra o “greenwashing”. A transparência e a responsabilidade ambiental são fatores que os consumidores consideram decisivos para desmascarar esta prática. A escolha por produtos e serviços realmente “verdes” é determinante, pelo que se torna urgente que existam cada vez mais medidas concretas que regulem e que combatam este alegado “marketing verde”.

 

 

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